Há coisas que sabemos fazer há tanto tempo que deixamos de lhes dar importância.
Organizar.
Resolver.
Antecipar.
Gerir informação.
Lidar com pessoas.
Encontrar soluções quando alguma coisa não corre como previsto.
Durante mais de duas décadas, fui construindo estas competências no meu percurso profissional.
Trabalhei em diferentes contextos, em diferentes áreas e com diferentes pessoas. E, ao longo dos anos, fui percebendo que havia uma constante: eu gosto de fazer com que as coisas funcionem.
Gosto de organizar.
Gosto de estruturar.
Gosto de perceber o que está a faltar.
Gosto de encontrar uma forma mais simples de fazer.
Durante muito tempo, tudo isto fez simplesmente parte do meu trabalho.
Até começar a perguntar-me:
E se pudesse fazer isto de outra forma?
O sonho que ficou anos à espera
Desde 2011 que tenho uma ideia na cabeça: criar alguma coisa minha.
Ter o meu próprio negócio.
Ser dona do meu tempo.
Poder escolher com quem trabalho, como trabalho e em que condições.
Mas uma coisa é querer.
Outra é arriscar.
E eu tive medo.
Muito medo.
Medo de não ser capaz.
Medo de não saber por onde começar.
Medo de pegar em tudo aquilo que sabia fazer e não conseguir transportá-lo para o mundo virtual.
E, por isso, fui adiando.
O sonho nunca desapareceu. Ficou ali.
De vez em quando voltava aquela pergunta:
“E se?”
E se desse certo?
E se desse errado?
Durante anos, fiquei algures entre estas duas perguntas.
Até que descobri que existia uma profissão chamada Assistente Virtual
Foi pela altura do Covid que me cruzei com o trabalho da Cátia Rodrigues, da Escola de Assistentes Virtuais.

Meu 1º encontro de Assistentes Virtuais, em Palmela.
Com Cátia Rodrigues e Cátia Fangueiro.
E lembro-me de perceber que aquilo que eu procurava talvez tivesse um nome.
Assistência Virtual.
Até então, eu sabia que queria criar algo meu. Sabia que queria trabalhar de outra forma. Sabia que queria ter mais liberdade e autonomia.
Mas não sabia que existia uma profissão que podia encaixar tão bem naquilo que imaginava para a minha vida.
Ainda assim, não foi logo.
Só em outubro de 2025 tomei a decisão de me inscrever no curso da Cátia.
E foi uma das melhores decisões da minha vida.
Eu não precisava de começar de novo
Precisava de aprender a levar comigo aquilo que já sabia fazer.
Essa foi uma das coisas mais importantes que fui percebendo durante o processo.
Eu não precisava de apagar mais de duas décadas de experiência administrativa.
Não precisava de me transformar noutra pessoa.
Precisava de aprender novas ferramentas, novas formas de trabalhar e novas formas de apresentar aquilo que já fazia.
Precisava de perceber como transformar experiência em serviço.
Como transformar competências em proposta de valor.
Como trabalhar no virtual.
Como construir uma presença profissional.
Como criar um negócio.
E foi aí que a formação teve um papel tão importante.
A Cátia deu-me aquilo que me faltava para dar forma ao que já existia: as ferramentas e o conhecimento necessários para transportar a minha experiência para o mundo virtual.
Onze meses depois…
Olho para trás e às vezes penso:
Como é que consegui chegar até aqui?
Continuo a conciliar este projeto com a minha atividade profissional atual, porque nem sempre os sonhos se concretizam de um dia para o outro.
Às vezes constroem-se nos intervalos.
Depois do trabalho.
Ao fim do dia.
Nos fins de semana.
Entre responsabilidades e tudo aquilo que a vida vai trazendo.
Mas cada passo conta.
A vida continuou a acontecer.
Mas o projeto continuou.
Pouco a pouco.
Um passo de cada vez.
Aprendi.
Experimentei.
Errei.
Voltei a fazer.
Recomecei algumas vezes.
E construí.
Construí o meu posicionamento.
Construí o meu site.
Construí os meus serviços.
Construí uma marca.
Construí uma forma de comunicar.
E, sobretudo, construí uma coisa que durante muitos anos achei que talvez não fosse capaz de construir:
um projeto meu.
Afinal, o que eu procurava não era apenas um negócio
Hoje percebo que aquilo que eu procurava desde 2011 era muito mais do que simplesmente “ter um negócio”.
Eu queria liberdade.
Liberdade para definir os meus horários.
Liberdade para escolher com quem quero trabalhar.
Liberdade para decidir como quero trabalhar.
Liberdade para construir uma atividade profissional que se adapte à vida que quero ter – e não uma vida que tenha de caber dentro do trabalho.
Quero poder trabalhar a partir de casa.
Quero poder trabalhar enquanto viajo.
Quero ter espaço para viver.
Para estar presente.
Para escolher.
Para decidir.
E, ao mesmo tempo, continuar a fazer aquilo que gosto.
Eu amo o que faço.
E talvez seja precisamente isso que torna este caminho tão especial para mim.
Não estou a fugir daquilo que fiz durante estes anos.
Estou a tentar criar uma forma de continuar a fazê-lo com mais liberdade, autonomia e intenção.
O medo não desapareceu. Eu é que decidi avançar apesar dele.
Durante anos tive medo.
Medo de arriscar.
Medo de não conseguir.
Medo de descobrir que, afinal, aquilo que sabia fazer não seria suficiente para este novo mundo.
E talvez esse tenha sido um dos maiores obstáculos.
Eu sabia trabalhar.
Tinha experiência.
Tinha conhecimento.
Tinha competências.
Mas não sabia como levar tudo isso para o mundo virtual.
Foi isso que precisei de aprender.
E foi aí que a formação da Cátia Rodrigues fez a diferença.
Ela não me deu aquilo que eu já tinha.
Deu-me ferramentas, conhecimento e, acima de tudo, o empurrão que me faltava para perceber que era possível transformar a experiência que já trazia numa nova forma de trabalhar.
Hoje continuo a ter medo.
A diferença é que já não deixo que o medo decida por mim.
Ainda não sei exatamente onde isto me vai levar
E talvez essa seja uma das partes mais bonitas de começar alguma coisa nossa.
Não sabemos.
Não sabemos exatamente quem vamos conhecer.
Que portas se vão abrir.
Que desafios vamos encontrar.
Nem até onde conseguimos chegar.
Eu ainda não sei como será o dia em que conquistar o meu primeiro cliente enquanto Assistente Virtual.
Mas sei que esse dia vai significar muito mais do que começar uma relação profissional.
Vai significar concretizar uma ideia que nasceu em 2011.
Um sonho que ficou anos à espera.
Uma pergunta que nunca desapareceu:
“E se der certo?”
Durante muito tempo fiquei presa ao “e se”.
E se não conseguir?
E se não resultar?
E se estiver a arriscar demasiado?
Hoje quero fazer a pergunta de outra forma:
E se der certo?
Agora já não quero ficar a imaginar a resposta.
Quero vivê-la.
Talvez não seja preciso esperar pelo momento certo
Durante muito tempo achei que precisava de ter menos medo para avançar.
Hoje penso de outra forma.
Talvez precisasse simplesmente de avançar mesmo tendo medo.
Porque nunca vamos saber se vai resultar se nunca tentarmos.
E talvez seja essa a parte mais bonita de começar alguma coisa nossa: não sabemos exatamente onde nos vai levar.
Mas sabemos que, se ficarmos parados, nunca vamos descobrir.
Eu ainda estou a construir.
Ainda estou a aprender.
Ainda tenho muito caminho pela frente.
Mas já não estou no mesmo lugar.
E isso, para mim, já significa muito.
Não comecei de novo.
Decidi finalmente começar por mim.
